21/05/13

Marcapasso é um dispositivo eletrônico de estimulação multiprogramável capaz de substituir impulsos elétricos e/ou ritmos ectópicos. Sua função é fornecer uma estimulação elétrica direta no coração produzindo uma despolarização elétrica e consequente contração cardíaca.
 

Tipos de Marcapassos
 
Provisórios:
·Externo trancutâneo
·Transvenoso endocárdico
·Transvenoso epicárdico
·Transesofágico

Definitivos:
·Ressincronizador
·Cardio Desfibrilador Implantável

Indicações
 
MARCAPASSOS:
·FC sintomática
·↓ FC ou distúrbios de condução assintomáticos (ACM)
·↑ FC para prevenção de taquiarritmias

RESSINCRONIZADOR:
·Disfunção sistólica do VE
·Cardiomiopatias de origem isquêmica

CARDIO DESFIBRILADOR IMPLANTÁVEL - CDI OU DCI:
· Risco de morte súbita
 
Basicamente são constituídos por: fonte de energia (gerador), circuito eletrônico e eletrodos.
 
Os marca-passos podem ser:
 
  • Temporários: utilizados para tratamento de bradicardias reversíveis;
  • Definitivos: utilizados para bradicardias irreversíveis;
  • Monopolares: somente um pólo está em contato com o miocárdio (geralmente o negativo);
  • Bipolares: os dois pólos estão em contato com o miocárdio;
  • Unicamerais: somente os átrios ou os ventrículos são estimulados;
  • Bicamerais: os átrios e os ventrículos são estimulados/monitorados pelo mesmo sistema;
  • Competitivos ou assincrônicos: não respeitam o ritmo próprio e estimulam de forma permanente e independente da presença ou não do ritmo próprio do paciente;
  • De demanda: respeitam o ritmo próprio do paciente, também conhecidos como não competitivos;
  • Endocárdicos: os eletrodos são implantados por via transvenosa no miocárdio;
  • Epicárdicos: os eletrodos são implantados por toracotomia.
  • Não-programáveis: não se reprograma de forma não invasiva depois de instalado, ou
  • Programáveis e multi-programáveis: apresentam a possibilidade de programação não invasiva depois de implantados, sendo que os primeiros, com até dois parâmetros programáveis e o segundo, com mais de dois parâmetros programáveis. Isto é possível através da troca de informações entre programador e gerador do marcapasso, por telemetria ou radiofrequência.

Marcapasso – programação
 
·Limiar de captura (out put) - Mínima energia necessária para causar contração do miocárdio em 100% do tempo;
·Sensibilidade - Capacidade do MP de sentir um sinal elétrico intrínseco;
·Programação: indicar o mínimo sinal intracardíaco necessário que vai ser sentido pelo MP para iniciar uma resposta (inibir ou estimular = trigar).

Código internacional

1ª letra – refere-se à câmara estimulada
·A – átrio
·V – ventrículo
·D – átrio e ventrículo
·O – nenhuma

2ª letra – refere-se à câmara sentida – atividade espontânea do paciente - sensibilidade
·A – átrio
·V – ventrículo
·D – dupla - átrio e ventrículo
·O – nenhuma

3ª letra – modo de resposta à sensibilidade
·I – inibido – não dispara se perceber a atividade do paciente
·T – deflagrado – estimula conforme a sensibilidade
·D – dupla
·O – Nenhuma – não altera seu modo conforme a sensibilidade

4ª letra – indica se o MP é responsivo à manipulação externa

5ª letra – resposta do MP a uma taquiarritmia

Morte Súbita Cardíaca
 
Definição - Evento não esperado ocorrendo em até 1 hora do início dos sintomas em presença de colapso circulatório instantâneo.
Arritmias Causadoras de MS: TV 62%, FV primária 8%, Bradiarritmias 17%, Torsaides de Pointes 13%
Prevenção Primária - Instalação do Cardioversor-Desfibrilador Implantável
CDI ou DCI - melhora a sobrevida em pacientes com disfunção ventricular e arritmias ventriculares.

Indicações para CDI
 
·Parada Cardiaca Por TV ou FV, Sem causas reversíveis ou transitórias;
·Taquicardia Ventricular Sustentada Espontânea: Doença Cardíaca Estrutural;
·Síncope de Causa Indeterminada com Taquicardia Ventricular com repercussão clínica e/ou hemodinâmica, ou Arritmias ventriculares sustentadas induzidas no Estudo Eletrofisiológico;
·TV não-Sustentada com Doença arterial coronária, IAM prévio, Disfunção ventricular, Indução de TV ou FV no Estudo Eletrofisiológico;
·TV Sustentada Espontânea: Sem possibilidades de outra forma de terapia (ex. Ablação);
·FE do ventrículo esquerdo <30% e mais de 1 mês pós IAM ou mais de 3 meses pós revascularização miocárdica;
·Parada Cardíaca, presumidamente por TV ou FV, com estudo eletrofisiológico contraindicado;
·TV Sustentada Aguardando Transplante Cardíaco;
·Condições de Alto Risco de Morte Súbita (Síndrome do QT Longo, cardiomiopatia Hipertrófica);
·Síncope de Causa Indeterminada.

Cardioversor-Desfibrilador Implantável
 
·Dispositivos pequenos, implante peitoral. Semelhante ao marcapasso;
·Anestesia local, sedação leve;
·Hospitalização curta. Complicações infrequentes;
·Ampla capacidade de programação. VVI, DDD ou Ressincronizador.

Assistência de enfermagem no pós operatório imediato de implante de MP definitivo
 
CUIDADOS DE ENFERMAGEM:
  • Repouso nas primeiras 24 horas pós implante do MPD;
  • Manter o membro relacionado ao implante imobilizado nas primeiras 24 horas para evitar desposicionamento dos eletrodos intracavitários;
  • Rotina de curativo no local da incisão;
  • Administrar compressas geladas de 8/8h por 20’ nas primeiras 24 horas;
  • Realizar ECG após implante e diariamente;
  • Solicitar Rx tórax após implante e pré-alta;
  • Sinais vitais, Atentar para dor;
  • Atentar para aparecimento de hematoma extenso na região;
  • Atentar para uso de anticoagulantes e sua suspensão pelo menos 12 horas antes do procedimento e seu retorno de 12 a 24 horas após o implante;
  • Liberar a dieta VO.

Diagnósticos e intervenção de enfermagem para pacientes com arritmias

Baixo DC relacionado à FC e ritmo ou condução anormal
Objetivo: Manter ritmo cardíaco e perfusão sistêmica adequada
Intervenções:
·Instituir monitorização cardíaca contínua;
·Registrar a ocorrência de arritmias;
·Realizar ECG diariamente e sempre que necessário;
·Avaliar e registrar sinais e sintomas de baixo débito cardíaco;
·Manter repouso no leito para diminuição das demandas de consumo miocárdico;
·Instituir acesso venoso periférico;
·Auxiliar na inserção do marcapasso transvenoso temporário se indicado.

Ansiedade referente à cardiopatia, implante do MP e possíveis complicações
Objetivo: Tranquilizar o paciente e proporcionar que o mesmo se torne cooperativo ao tratamento
Intervenções:    
·Orientar quanto ao ambiente intensivo e aprofundar explicações sobre o marcapasso, registrando-as em prontuário.
·Atentar para grau de compreensão e colaboração do paciente

Déficit de conhecimento sobre a inserção iminente do MP
Objetivo: Proporcionar a compreensão do paciente acerca do novo dispositivo
Intervenções:
·Orientar quanto ao ambiente intensivo e aprofundar explicações sobre o marcapasso, registrando-as em prontuário.
·Atentar para grau de compreensão e colaboração do paciente
·Documentar resposta do paciente à doença
·Estimular o autocuidado e o apoio familiar
·Registrar no prontuário as informações fornecidas

Dor no local da incisão cirúrgica
Objetivos: Conforto do paciente no pós-operatório
Intervenções:
·Avaliar grau de dor na incisão cirúrgica e administrar medicação analgésica conforme prescrito
·Administrar medicação analgésica sempre que necessário
·Registrar o alívio da dor
·Promover períodos de repouso e mobilização dos membros superiores

Alto risco para infecção
Objetivos: Evitar ocorrência de infecção
Intervenções:
·Lavar regularmente as mãos
·Utilizar técnica estéril na troca de curativos
·Monitorar sinais de infecção local e sistêmico
·Manter curativo cirúrgico íntegro por 24 horas no local da incisão
 
Alto risco de mobilidade física prejudicada relacionada à dor e aos efeitos do repouso no leito
Objetivos: Retornar gradativamente as atividades
Intervenções:
·Acompanhar o paciente em suas atividades fora do leito
·Monitorar a faixa de ritmo quanto a possíveis alterações

Nutrição inadequada relacionada ao período pré-operatório
Objetivos: Proporcionar pré, trans e pós-operatório sem intercorrências
Intervenções:
·Checar jejum de 8 horas, para o procedimento cirúrgico
·Checar junto à equipe médica a suspensão de drogas como: hipoglicemiantes, anticoagulantes, b-bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e antiarrítmicos
·Avaliar liberação da dieta, pós-procedimento

Drogas antiarrítmicas: ancoron, adenosina, seloken, lidocaína, atropina, digoxina, adrenalina...
 
 
Fontes de interferência domiciliar ou cotidiana:

  • Equipamentos elétricos mal aterrados ocorre aqui um risco de inibição do gerador de pulsos, quando a corrente elétrica de fuga de certos equipamentos em funcionamento (chuveiro elétrico, refrigeradores), encontrando resistência no circuito mal aterrado, utiliza o corpo humano como via auxiliar de passagem.
  • Detectores de metais - interferência acoplada magneticamente: também podem inibir os geradores de pulso. Por isso o paciente portador de marcapasso deve portar sua carteirinha e ser submetido à revista manual, se necessário.
  • Sistemas de Ignição de motores a combustão: muito raramente leva à inibição do gerador de pulso. Não existe qualquer impedimento à direção do carro.
  • Fornos de micro-ondas: teoricamente não deve ocorrer fuga do sinal dos fornos de micro-ondas, mas se isto ocorrer pode causar inibição prolongada do gerador de pulso. O paciente portador de marcapasso deve se afastar do forno de micro-ondas, quando este estiver em funcionamento.
  • Telefone celular: pode ocorrer quando se coloca o aparelho sobre o gerador de pulsos, entretanto, com o uso normal, distante mais que 10 cm do marcapasso, ela não ocorre.
  • Ímãs: o ímã colocado sobre o gerador de pulsos do marcapasso causa uma reversão para o modo assincrônico e pode colocar o paciente em risco de fibrilação ventricular. Outros equipamentos que emitem sinais magnéticos são as lixadeiras e furadeiras elétricas.

Fontes de interferência hospitalar ou de procedimentos médicos

  • Cardioversão, Desfibrilação e Eletrochoque: embora os geradores de pulsos sejam protegidos contra descargas de até 300 Joules, este tipo de energia pode danificar permanentemente o sistema, afetando a sensibilidade e aumentando o limiar de excitabilidade com perda do comando.
  • Eletrocauterização: esta forma de energia também pode ocasionar disfunção permanente por alteração do gerador ou fulguração da interface eletrodo-miocárdio. Existe ainda o risco de que a corrente elétrica aplicada tenha a intensidade suficiente para utilizar o marcapasso como um condutor e induzir fibrilação ventricular. Porém o risco mais comum é a inibição do gerador pela corrente do bisturi elétrico, que quase sempre ocorre. Portanto, o uso de um ímã sobre o gerador, é um recurso muito útil, para proteger o gerador e também para evitar que ocorram períodos de assistolia.
  • Radiações ionizantes: por terem características cumulativas, alteram definitivamente os parâmetros do transmissor CMOS utilizados nos marcapassos, na faixa de 1.000 a 1.500 rads. O gerador de pulsos deve ser sempre protegido por placa de chumbo durante as aplicações, e , caso o tumor a ser irradiado esteja próximo à sua loja, como é o caso dos tumores de mama ou de pulmão homolateral, a mudança da posição do aparelho é obrigatória.
  • Ressonância magnética: embora poucos estudos demonstrem os efeitos deste exame sobre os sistemas de estimulação cardíaca artificial, este é sistematicamente contraindicado em portadores de marcapassos. Além das alterações da própria imagem quando o exame visa a um órgão torácico, ele pode promover o movimento ou deflexão do sistema e a reversão ao modo assincrônico.
  • Litotripsia: as ondas de choque da litotripsia, embora não causem dano direto ao sistema, podem acarretar inibições, desde que sejam emitidas em frequência maior à programada no marcapasso. Os cuidados com o paciente devem ser o de evitar a assistolia, sendo que a monitorização cardíaca, o uso do ímã ou a reprogramação para o modo assíncrono são suficientes para evitar complicações.
  • Diatermia ou Ondas Curtas: estes equipamentos podem inibir o gerador de pulso e até mesmo danificar o sistema caso haja proximidade entre o local da aplicação e o gerador de pulsos. Sugere-se que, quando indispensáveis, estes tratamentos sejam realizados sob rigorosa monitorização eletrocardiográfica e que a linha principal de corrente a ser aplicada não intercepte o eixo elétrico de estimulação do marcapasso.
  • Equipos de consultórios odontológicos: não apresentam o risco de danificar o marcapasso ou causar alterações graves ao paciente. A inibição temporária do gerador de pulsos, entretanto, pode ocorrer com o uso de certos tipos de motores utilizados pelo dentista. Se o paciente apresentar tonturas durante as aplicações, esta deve ser imediatamente interrompida, para que o marcapasso volte a funcionar em suas condições normais.


Fonte: Enfermagem Virtual