18/12/14


17/12/14

A interação dos dois aumenta a capacidade de consumir oxigênio, que potencializa a queima de substratos para produção de energia aeróbica.

Como podemos caracterizar as necessidades e os benefícios do treinamento em relação aos órgãos e sistemas responsáveis pela melhora do desempenho? Sabemos que a corrida é um exercício predominantemente aeróbico, ou seja, um tipo de atividade na qual a energia é produzida pela utilização de oxigênio na queima dos substratos energéticos, principalmente os carboidratos e as gorduras.

Como o treinamento pode melhorar esta produção de energia, proporcionando ao atleta correr em um ritmo mais forte e melhorando seu desempenho? Podemos focar a discussão em dois fatores determinantes: músculos e coração. Podemos dizer que o coração é o provedor e o músculo é o efetor.


Quando analisamos os benefícios do treinamento no músculo, ou seja, no efetor do movimento, precisamos entender como se torna possível consumir mais oxigênio para queimar mais substratos e produzir mais energia. As adaptações necessárias compreendem principalmente:
  • aumento do número de vasos sanguíneos no tecido muscular. Este efeito proporciona os músculos receber melhor perfusão de sangue
  • aumento do número de mitocôndrias (organelas nas quais o oxigênio “queima” os substratos) nas células
  • aumento da atividade das enzimas que catalisam as respectivas reações químicas
Com essas e outras adaptações que decorrem do treinamento de corrida, os músculos efetores do movimento se capacitam a produzir mais energia, gerando melhora progressiva do desempenho, caracterizando os benefícios “periféricos” do treinamento.

Por outro lado, existe a absoluta necessidade de melhorar também a eficiência do provedor, ou seja, do coração. O coração como bomba, tem a função específica de promover um aumento do fluxo sanguíneo aos músculos, aportando tanto o oxigênio quanto os substratos para produção de energia.

A melhora da eficiência do coração é decorrente principalmente de um fator: A capacidade de aumentar o volume de sangue ejetado em cada sístole (batimento) Este índice é chamado de volume sistólico que o coração pode quase duplicar em decorrência do treinamento.

Assim, para uma mesma frequência cardíaca, o coração estaria bombeando um volume maior de sangue, caracterizando o benefício ”central” do treinamento. Portanto, melhorar o desempenho significa obter tanto as adaptações periféricas ou musculares do treinamento, quanto as adaptações cardíacas ou centrais.

O resultado da interação de ambas é um aumento na capacidade de consumir oxigênio, potencializando a maior queima de substratos para produção de energia aeróbica.


Texto: Turibio Barros
Portal Eu Atleta

16/12/14

Os grãos têm cor e textura de sal e servem para salgar os alimentos, mas a grande diferença está na composição: no lugar do sódio, potássio. O produto atende pelo nome de salgante. Vendido há pelo menos uma década nos EUA e na Europa, acaba de ser aprovado no país pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Como substitui completamente o sódio, vilão da pressão arterial, pelo potássio, nutriente presente em frutas e verduras que ajuda a combater doenças cardiovasculares, poderia ser uma espécie de salvação para hipertensos. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a maioria da população ingere muito sódio e pouco potássio, presente em alimentos como banana, castanha, feijão, ervilha e verduras em geral.

A entidade não estabelece limite máximo para o consumo do nutriente, que pode reduzir a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares e tem efeitos benéficos sobre a saúde dos ossos. O salgante, porém, chega ao país com uma lista de ressalvas e contraindicações. Pessoas com insuficiência renal, que tendem a acumular potássio no organismo, correm risco de morte se consumirem o salgante. O excesso do nutriente pode causar parada cardíaca.

Hipertensos e diabéticos –público-alvo do produto, já que costumam receber orientações para reduzir o consumo de sal– também devem ter cautela. Um terço desses pacientes pode ter algum grau de insuficiência renal. Quem tem hipertensão e toma remédios que retenham potássio (como os diuréticos poupadores de potássio e os inibidores da enzima de conversão da angiotensina) também não deve consumir o produto, diz Celso Amodeo, médico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

As informações sobre os riscos e contraindicações não constam no site ou na embalagem do produto. "A verdade é que estamos preocupados com esse lançamento", diz Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia. "É preciso se certificar de que seus rins estão funcionando plenamente antes de usar o produto." Em pessoas com função renal normal, o excesso de potássio é excretado pela urina.

"A suplementação é uma opção para aumentar o consumo de potássio, mas não acredito que trocar o pote de sal pelo de salgante seja o melhor caminho. O ideal é reduzir o consumo de sódio, em vez de cortá-lo", afirma o médico nutrólogo Celso Cukier.

ACEITAÇÃO - O salgante começou a ser disponibilizado no mercado brasileiro pelo preço de R$ 16,90 por cada pote de 100g. O produto, que tem cor e textura de sal, deixa um sabor residual amargo e metálico na boca. Caso seja aquecido a mais de 180 graus, esse gosto se acentua.

"O sal light, que é metade sódio e metade potássio, também tem esse problema. Imagino que a aceitação de um produto que é puro potássio será ainda mais difícil", diz Marcia Gowdak, diretora do departamento de nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Nilson Capozzi, diretor da Matrix Health, que faz o Bio Salgante, compara o produto aos adoçantes: "Adoçante in natura é horrível, mas, quando é misturado aos alimentos, esse efeito é minimizado".

"O primeiro teste causa estranheza, mas peço sempre que repitam o teste uma, duas, três vezes. O paladar humano se adapta rapidamente. Acho que a maioria das pessoas vai gostar." Sobre a segurança do produto, ele lembra que o salgante está disponível há anos em outros países e foi testado durante cinco anos em parceria com cientistas da USP e da Unifesp. "Só há problema para quem tem insuficiência renal crônica", diz.


Fonte: Folha de S. Paulo


15/12/14

Uma técnica em teste no Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo) pode evitar a morte do músculo cardíaco, em caso de infarto, mais rápido que a cirurgia. Uma injeção de microbolhas contendo gás desobstrui vasos do coração em minutos.

O cardiologista Wilson Mathias Junior, diretor do Serviço de Ecocardiograma do Incor e responsável pela pesquisa, explica que as bolhas rompem o coágulo de sangue que impede a chegada de oxigênio ao coração, evitando o dano ao músculo. Até agora, 16 pacientes participaram do estudo. Só metade deles recebeu o tratamento. O objetivo é verificar a diferença que as microbolhas fariam na terapia convencional (medicamentos e cateterismo). Espera-se que até 2016 dados de cem emergências sejam coletados.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) prevê R$ 1 milhão no total para o estudo. No infarto, diz Mathias, a ausência de oxigênio causa necrose no músculo cardíaco, que perde sua capacidade de contração. Quanto maior a extensão dessa necrose, maiores os danos (se mais da metade do coração necrosar, pode haver morte). As bolhas, assim, podem impedir essa necrose – e mais rapidamente que a cirurgia.

Para isso, cerca de 2 bilhões de bolhas são injetadas na veia do paciente infartado. Elas "viajam" pelo corpo inteiro, mas só vão se romper na altura do peito, sob o efeito de um ultrassom aplicado na máxima intensidade. "Com o impacto da onda no peito, elas vibram até se romperem", explica Mathias. "O gás de dentro da bolha vira um microjato que pulveriza o trombo [coágulo]."


As bolhas são formadas por "um gás denso" e uma camada de lipídios para que não estourem no fluxo do sangue e consigam chegar até a artéria do coração. Hoje, o paciente infartado precisa fazer cateterismo para desobstrução das artérias. No procedimento, um tubo é colocado em um vaso periférico (da coxa, do pescoço ou do braço) para acessar o coração. Isso "limpa" o caminho para o sangue circular.

No Brasil, só 30% dos infartados têm acesso ao cateterismo, que requer infraestrutura. A vantagem das microbolhas, segundo Mathias, é a possibilidade de aplicação por um profissional não médico. Ele cita uma situação hipotética em que o infarto poderia ser confirmado por por um médico a distância e, com um ultrassom portátil, as bolhas seriam usadas para reduzir o número de mortes em áreas mais afastadas.

O cardiologista Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do HCor (Hospital do Coração), explica que já existe hoje uma aplicação prática para as microbolhas, em exames diagnósticos. "As bolhas ajudam a entender o fluxo de sangue no interior do coração", diz. "São seguras e sem efeitos colaterais."

PERSPECTIVAS - A pesquisa no Incor está sendo feita em parceria com a Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos. Lá, o cardiologista Thomas Porter testou as bolhas em laboratório. Ele disse que a maior vantagem da técnica é intervir mais rápido que a cirurgia. "A técnica poderá ser usada na ambulância ou até na casa do paciente."

As bolhas, contudo, não destroem as placas de gordura que estão associadas ao infarto. "Elas quebram o coágulo, que é a causa", explica Porter. "Mas para o trombo impedir a passagem do sangue, muitas vezes, a artéria já está tomada por gordura.

"Os especialistas afirmam que cerca de 70% dos pacientes vão precisar de cirurgias para retirada de placas de gordura nas artérias para prevenir novos infartos. Já os casos menos graves, nos quais as placas são menos espessas, poderão continuar o tratamento só com remédios.


Fonte: Folha de São Paulo

12/12/14

Os efeitos protetores do álcool em relação às doenças cardiovasculares, chamados efeitos cardioprotetores, foram sugeridos há mais de duas décadas, após a publicação de um estudo observacional que abordava o "paradoxo francês". Neste estudo os pesquisadores observaram que os franceses apresentavam uma menor incidência de doenças cardiovasculares, apesar de um consumo maior de álcool (principalmente Glossary Linkvinho) e gorduras saturadas.
Abaixo enumeramos alguns fatos sobre a ingestão de bebidas alcoólicas e doenças cardiovasculares:
1- Estudos demonstraram que o consumo moderado e regular de bebidas alcoólicas (qualquer tipo de bebida) pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares em geral, doença arterial coronariana (formação de placas de gordura na parede das artérias do coração, chamada de aterosclerose coronariana), infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e morte cardíaca.
2- O álcool eleva os níveis do HDL colesterol ("colesterol bom"), além de diminuir o risco de formação de coágulos (efeito antitrombótico). Em relação ao Glossary Linkvinho tinto, sabemos que a casca da uva vermelha é rica em flavanoides, como o resveratrol, o qual possui propriedades antioxidantes que podem combater o processo de aterosclerose coronariana.
3- A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que sejam adotados como referências de beber seguro, sete unidades semanais para as mulheres, e quatorze unidades semanais para os homens. Abaixo temos a definição de uma unidade de bebida alcoólica:
            VOLUME DA BEBIDA - CONCENTRAÇÃO - VOLUME DE ÁLCOOL - GRAMAS DE ETANOL
            VINHO 90ml                             12%                       11 ml                          8,8 gramas
            CERVEJA 350ml                       5%                        17 ml                        13,6 gramas
            DESTILADAS 50ml                  40%                        20 ml                          16 gramas
4- O padrão ideal de ingestão alcoólica parece ser diário e moderado, antes ou durante a refeição da noite, preferencialmente de vinho tinto.
5- A interação do álcool no organismo humano é bastante complexa. A resposta de cada indivíduo frente a uma determinada ingestão alcoólica pode variar bastante. É difícil identificar as pessoas que podem desenvolver abuso de álcool.
6- As provas para os efeitos nocivos do álcool são mais fortes do que a evidência de seus efeitos benéficos. A ingestão excessiva de álcool associa-se à hipertensão arterial, hemorragia cerebral, fibrilação atrial (arritmia cardíaca) e cardiomiopatia (doença do músculo cardíaco). Doença hepática e algumas formas de câncer associam-se à ingestão excessiva de álcool. A direção veicular segura é um fator limitante para a ingestão de álcool.
7- A relação risco-benefício de beber parece ser maior em indivíduos mais jovens, que também têm taxas mais altas de consumo alcoólico excessivo, e mais frequentemente sofrem as consequências adversas da intoxicação alcoólica aguda (acidentes, violência e problemas sociais).
8- Entre os homens com idades entre 15 e 59 anos, o abuso de álcool é o principal fator de risco para a morte prematura.
9- Uma grama de etanol fornece 7 kcal. A ingestão de álcool pode contribuir para à obesidade, pode descontrolar os níveis de glicemia em diabéticos, elevar os níveis de ácido úrico e triglicerídeos.
10- Finalizando, a ingestão de bebidas alcoólicas não deve ser estimulada como uma forma de prevenção ou tratamento das doenças cardiovasculares.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr. – Portal do Coração

11/12/14

Um medicamento que era usado no tempo dos faraós para combater reumatismo se mostrou altamente efetivo no combate à pericardite, inflamação da membrana que envolve o coração, revelaram novos ensaios clínicos divulgados pelo Colégio Americano de Cardiologia, em Washington.
A droga antiga, chamada de colchicina, que por séculos foi empregada no tratamento de gota, foi utilizada novamente em um teste com placebo em 240 pacientes.
A taxa de pericardite recorrente caiu praticamente pela metade naqueles que ingeriram colchicina, comparando com o placebo, de acordo com as informações divulgadas.
Ao final do teste, a inflamação, que leva a agudas dores no peito, foi observada em 42,5% das pessoas que tomavam comprimidos normais. Nos que tomavam o medicamento, o índice caiu para 21,6%.
Além disso, após três dias de tratamento, 19,2% dos pacientes que tomaram a droga ainda mostravam sintomas, contra 44% que tomaram placebo. E os que tomaram placebo, em média, tiveram 0,63 recorrências, contra 0,28 dos que tomaram colchicina.
Com menor recorrência, a droga diminui a taxa de hospitalizações para 1,7%, comparado com os 10% do grupo do placebo. Os resultados favoráveis devem aumentar a confiança no uso do medicamento para pericardite, disseram os pesquisadores.

Fonte: G1