06/02/14

Síndrome do coração partido

Esta síndrome é de ocorrência muito rara, e acomete principalmente as mulheres de meia idade. Tanto pelo grupo de pessoas mais acometidas, como pelo seu nome, poderia haver a sugestão de que se trate de um envolvimento mais relacionado a coisas emocionais do que a uma doença orgânica do coração.

A doença foi pela primeira vez relatada no Japão; atualmente, já existem relatos de casos semelhantes nos Estados Unidos e mesmo no Brasil. De momento, o total de casos relatados na literatura médica não passa de 200. Provavelmente, existem mais casos de pessoas acometidas, mas que não foram diagnosticados por ser uma síndrome desconhecida.

As manifestações da doença são as de um infarto do miocárdio, que acomete principalmente mulheres de meia idade; as alterações eletrocardiográficas são as de um infarto agudo do miocárdio e as alterações das enzimas do sangue comprovam a lesão do músculo cardíaco. A evolução costuma ser boa e, geralmente, é de curta duração com a recuperação das alterações registradas no início da doença.

O que chama a atenção, o que dá a chave para o diagnóstico, são os estudos hemodinâmicos destes corações. As artérias coronárias costumam ser praticamente normais e a ventriculografia mostra um coração com a ponta dilatada, inativa e o restante do coração continua se contraindo normalmente durante a sístole ventricular. Esta parte, que se contrai de modo normal, e a parte que não sofre a contração sistólica esperada geram a imagem que sugere haver uma parte normal e a outra anormal. É como se uma parte do ventrículo funcionasse normalmente e a outra não, provocando a impressão de coração partido.

A síndrome do coração partido é uma doença de bom prognóstico, pois a evolução destes infartos costuma ser rápida e boa, não deixando sequelas maiores. De um modo geral, acontece a recuperação total dos pacientes em poucos dias, apesar das manifestações iniciais alarmantes.

O que mais chama a atenção nesta síndrome é que a grande maioria, mais de 95% acontece em mulheres de meia idade.

22/01/14

Saiba quais são os problemas mais comuns provocados pela quimioterapia e radioterapia

A cura do câncer pode deixar sequelas no coração. A cardiotoxicidade (efeito colateral adverso ao coração) dos tratamentos quimioterápicos e, principalmente, radioterápicos, pode ser uma herança dos procedimentos agressivos contra os tumores. “Visto como portador de uma doença crônica, o paciente com câncer pode apresentar descompensações agudas, entre elas, as manifestações cardiovasculares”, afirma o cardiologista Fernando Bacal, coordenador do Programa de Insuficiência Cardíaca Coronária do Einstein.

Destinadas a “atingir o tecido tumoral”, a radioterapia e a quimioterapia podem, em alguns casos, danificar os tecidos saudáveis. Quando isso ocorre no músculo cardíaco, na membrana que envolve o coração (pericárdio) ou nos vasos sanguíneos, o paciente corre o risco de desenvolver uma disfunção ventricular, isquemia, arritmia, hipertensão arterial ou alterações metabólicas, valvares e pericárdicas. “São os problemas mais comuns provocados pelos tratamentos (oncológicos). É papel do cardio-oncologista monitorar esses possíveis efeitos adversos”, diz o dr. Bacal.

Nem todo medicamento utilizado contra o câncer, porém, é cardiotóxico e nem todo paciente submetido aos procedimentos desenvolverá algum problema cardíaco – esse número, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e de até 10% dos pacientes. “O tratamento oncológico melhorou muito. A sobrevida dos pacientes também. Hoje é possível monitorar precocemente as alterações cardíacas e tratá-las”, afirma o cardiologista.

Pacientes muito jovens ou idosos, que foram submetidos à irradiação ou doses altas de quimioterápicos e/ou que já apresentavam doenças cardiovasculares antes do tratamento contra o câncer têm predisposição maior a desenvolver problemas do coração em decorrência da cardiotoxicidade. “Alguns medicamentos utilizados no tratamento de linfomas e do câncer de mama costumam ser nocivos ao coração.”

Bacal ressalta, no entanto, que os tratamentos contra o câncer são seguros – até mesmo para pacientes que apresentam problemas cardíacos prévios. “O importante é acompanhar precocemente o coração do paciente com câncer e evitar ou tratar o quanto antes qualquer manifestação adversa dos medicamentos oncológicos no coração.”

Desde 2011 o Brasil conta com diretrizes sobre o risco cardíaco da quimioterapia. O documento, elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia pode ser visto na íntegra em http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2011/diretriz_cardio_oncologia.pdf

Texto: Dr. Fernando Bacal (cardiologista)
Fonte: Portal Einstein


21/01/14

O uso de medicamentos efervescentes solúveis, como vitaminas e analgésicos, pode estar associado ao aumento da ocorrência de problemas cardiovasculares, segundo estudo publicado no British Medical Journal​​.

Em relação aos indivíduos que utilizaram as mesmas medicações, mas em apresentações diferentes (comprimidos e cápsulas, por exemplo), o grupo de indivíduos que tomou remédios efervescentes registrou 16% mais eventos cardiovasculares (infarto e AVC não fatal e morte por decorrência vascular); aumento de 22% do número de AVCs; 28% mais mortes e sete vezes mais casos de hipertensão arterial.

Para o cardiologista do Einstein, Antônio Gabriele Laurinavicius, a pesquisa Association between cardiovascular events and sodium-containing effervescent, dispersible, and soluble drugs: nested case-control study reforça o alerta sobre os riscos da automedicação – uma vez que muitos medicamentos efervescentes são vendidos sem a necessidade de prescrição médica. “O controle do sódio, discussão comum em relação aos alimentos, é um assunto praticamente ignorado no caso dos medicamentos. O artigo reforça os riscos da banalização do uso de remédios e alerta contra a automedicação”, diz o dr. Laurinavicius.

Cuidado com a interpretação

No entanto, o cardiologista também afirma que é preciso ter cautela com os resultados. “É uma amostra representativa, mas há limitações. Estes resultados não podem ainda ser tomados como uma verdade absoluta.” O estudo avaliou cerca de 1,3 milhão de pacientes maiores de 18 anos, durante sete anos, e foi realizado a partir da análise do banco de dados do UK Clinical Practice Research Datalink, que possui uma base de dados de 500 centros de atenção primária da Inglaterra.

Entre as limitações, o dr. Laurinavicius cita que a pesquisa é observacional e retrospectiva. Por isso seus resultados precisam ser confirmados em novos estudos prospectivos. “Também devemos considerar que atualmente no Brasil os efervescentes não são tão utilizados como na Europa. Assim, o estudo tem menos aplicabilidade entre os brasileiros.”

Por último, a comparação de substâncias e pacientes distintos (que foram agrupados apenas pela apresentação efervescente dos medicamentos consumidos) representa outra importante limitação metodológica. “Vitaminas, analgésicos e anti-inflamatórios são medicamentos com propriedades e perfis de segurança muito diferentes e avaliar seus efeitos conjuntamente pode levar a conclusões erradas. O estudo não considerou as características de cada medicamento e paciente que os utiliza. Só tomou como critério a sua apresentação, mas são remédios e casos muito diferentes.”



Texto: Dr. Antonio Gabriele Laurinavicius, (cardiologista)
Fonte: Portal Einstein

19/01/14

Viver mais é uma escolha que você faz

"Eu sou 12 por 8" é uma campanha do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia para você viver com mais qualidade e por muito mais tempo. No Brasil, nada mata mais que a Hipertensão.

A falta de controle da pressão arterial pode causar diversas complicações que alteram significativamente a qualidade de vida. Escolha viver mais: faça exercícios físicos, controle o peso, a alimentação e visite seu médico periodicamente.

Maiores informações em http://www.eusou12por8.com.br

18/01/14

Existe uma associação muito forte entre hipertensão arterial e lesão renal. A doença renal crônica, um grave problema de saúde no Brasil e no mundo, tem aumentado a sua prevalência nas últimas décadas - e as duas principais causas desse aumento são a hipertensão arterial e o diabetes. Isso quer dizer que um bom controle da pressão arterial e da glicemia também pode contribuir para a prevenção e até mesmo mudar o cenário da doença renal crônica.

A chance de um paciente hipertenso ter problemas nos rins será tanto maior quanto maiores forem os valores da pressão arterial e o tempo de exposição à hipertensão. Uma das primeiras alterações observadas em pessoas hipertensas é a perda de proteína pelos rins. Há um exame chamado microalbuminúria, que mede a taxa dessa perda. O normal é que uma pessoa elimine menos que 30mg/24hs de albumina por dia. A perda de 30 a 300 mg/24hs é o que caracteriza a microalbuminúria e perdas maiores que 300mg/24hs caracterizam macroalbuminúria.

Em média a alteração na taxa de excreção urinária da albumina precede em 10 anos a elevação da creatinina, que é um exame de rotina na avaliação do hipertenso, ou seja, na suspeita de agressão ao rim, o médico poderá em caso de creatinina normal lançar mão da dosagem da microalbuminúria para estabelecer um diagnóstico precoce de dano renal pela hipertensão (nefropatia hipertensiva).

Quando não é diagnosticada e tratada precocemente, a nefropatia hipertensiva - dano no rim causado pela hipertensão - evolui para estágios mais avançados, podendo chegar nos estágios finais da doença renal, o que leva a a necessidade de diálise, situação grave para o paciente e de alto custo para os sistemas de saúde, públicos e de convênios.

Os cuidados fundamentais para evitar o dano aos rins são o diagnóstico e o tratamento adequado da hipertensão arterial, do diabetes e também dos outros fatores de risco cardiovasculares. O acompanhamento médico regular e o uso correto dos medicamentos são muito importantes. Além disso, a adoção de uma alimentação saudável ajuda muito na prevenção do dano renal.


Texto: Weimar Sebba Barroso (Cardiologia)
Fonte: Portal Minha Vida


17/01/14

A hipertensão arterial é responsável indiretamente por milhares de mortes ao ano. Ela é causa e fator independente de morte súbita, e a cada elevação de 10 mmHg (milímetros de mercúrio) na medida da pressão já existe aumento significativo do risco de morte. A hipertensão é responsável por 54% dos acidentes vasculares cerebrais e por 47% dos casos de infarto agudo do miocárdio.

A medida da pressão arterial normal deve ser menor que 130 (máxima) por 85 (mínima). Essa é a medida em milímetros de mercúrio, unidade usada para mensurar a pressão - nesse caso, a pressão do sangue correndo pelas artérias. Outro jeito de falar é em centímetros, que caiu no gosto popular, ficando 13 por 8,5. A pressão arterial é uma medida indireta do quanto o coração esta bombeando de sangue e como a resistência das artérias impede a passagem deste, aumentando a pressão dentro do vaso sanguíneo.

Pessoas com a pressão arterial elevada devem monitorá-la com frequência, e alterações significativas devem ser informadas ao médico. No entanto, é importante seguir instruções simples para aferir a pressão de forma correta, evitando resultados equivocados.

Hoje existem muitos dispositivos eletrônicos para a medida da pressão. Eles permitem que a pessoa seja autossuficiente no acionamento do aparelho, que geralmente é colocado no pulso ou braço. Além dos eletrônicos, temos os de coluna de mercúrio, cada vez mais raros no mercado, e os analógicos (os dois últimos são mais confiáveis, mas dependem de uma pessoa capacitada medindo a pressão).

A medida da pressão arterial deve ser feita em repouso, por pelo menos dois minutos (idealmente cinco minutos), em posição sentada e de bexiga vazia (para evitar que a distensão de bexiga cause desconforto e eleve a pressão). Dê preferencia a momentos em que você ou a pessoa que está medindo a pressão esteja sem dor ou ansiedade extrema.

O braço deve estar posicionado na altura do coração, apoiado em alguma superfície. Braço baixo pode acumular sangue e criar um pequeno edema que falseia a medida. Após o posicionamento do aparelho digital eletrônico, aguardamos trinta segundos, com o manguito permitindo entrada de um dedo sem dificuldade entre a braçadeira e a pele (não deixar muito apertado ou muito solto).

Evite falar durante a medida. De preferencia, repita a medida apos cinco minutos no aparelho digital, para conferir o resultado. Os aparelhos analógicos e de mercúrio não necessitam disso.

Não faz diferença medir em braço esquerdo ou direito, exceto no caso de doenças da aorta ou nos grandes vasos. Na primeira vez, a pressão pode ser observada nos dois braços para referencia futura - mas essa deve ser feita pelo medico no consultório.

Os aparelhos devem ser calibrados a cada dois a três meses, sendo que os de mercúrio podem ser calibrados menos frequentemente.

A medida residencial da pressão arterial (MRPA) é uma ferramenta extremamente útil para guiar tratamento, e o paciente pode estabelecer um diário, com duas medidas ou mais por semana em horários diferentes e mostrar para o seu medico na consulta.

Quais os valores que preocupam?

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) tem três estágios: de 140/90 a 160/100 mmHg, de 160/100 a 180/110 mmHg e maior que 180/110 mmHg. A pressão da pessoa é elevada constantemente, não fica elevada às vezes. Essa ideia de que a pressão não está sempre elevada faz com que as pessoas só tratem dela quando estão com sintomas (os mais comuns dores de cabeça, cansaço, palpitações).

Quando a pressão esta elevada, mas sem sintomas, a filtração forçada através do rim cria pequenos buracos e cicatrizes que vão levar a insuficiência renal, pequenos aneurismas no cérebro que podem romper e pequenas hemorragias na retina, que podem levar à cegueira. Daí a importância de não substituir doses ou esquecer remédios.

Enfrentando a doença

Segundo a Sociedade Brasileira de HAS, o tratamento é multidisciplinar e complementar. As dietas recomendadas são a DASH e a dieta mediterrânea, sendo que as dietas vegetarianas exclusivas não são uma abordagem para tratar HAS, pois apesar do baixo teor de sódio e gordura, são pobres em vitaminas e nutrientes. Dietas como a Dunkan e Atkins (dietas da proteína), não tem beneficio por conta da sobrecarga de sódio e gorduras, que leva à descompensação aguda de lipídeos, colesterol, triglicérides, acido úrico e da própria pressão.

Os exercícios aeróbicos são preferidos pra tratamento da hipertensão, por causar menos alterações na pressão arterial do que os exercícios de resistência. Para controle do estresse, técnicas de relaxamento como yoga são estimuladas, desde que se adequem ao gosto do paciente.

Em mulheres uma das causas de hipertensão está relacionada com o uso de contraceptivos hormonais. Em mulheres com HAS em uso de anticoncepcional devemos, se possível, suspender o anticoncepcional e avaliar a pressão ao longo de três meses. Caso houver redução, reiniciar com doses mínimas de estrogênio e progesterona. Caso persista elevada, devemos considerar outra forma de anticoncepção.

Texto: Dr. Bruno Valdigem (Cardiologia)
Fonte: Portal Minha Vida